5 artistas juntos num mesmo contexto

Trabalho

Mesmo que diferentes, as obras de arte tomam uma leitura semelhante quando reunidas num mesmo espaço. Sob o predomínio das questões contemporâneas, a exposição coletiva 5 artistas, cuja abertura será feita na próxima sexta, dia 16, às 20h, na Hiato – Ambiente de Arte, reúne múltiplas linguagens a fim de discutir a cena atual. Adauto Venturi, Elisandro Calheiros, Ricardo Mendonça, Sérgio Sabo e Wagner Fortes, se encontram na mostra que apresenta grande força estética e discursiva, características marcantes na obra desses artistas.

TrabalhoApresentando seu mais novo trabalho, Adauto Venturi reúne imagens de rádios antigos obtidas pela técnica da frotagem, que consiste na captura de texturas através da fricção entre tela e objeto. Segundo o artista, os três trabalhos indicam o que deverá ser sua próxima individual, que deseja apresentar no próximo ano.

Também amparado no ineditismo, Wagner Fortes revela uma obra curiosa e detalhista. Pedaços de papel remontam imagens surreais, num grande mosaico em que a sobreposição dos fragmentos resulta em novas e inusitadas tonalidades.  “Esses trabalhos me renderam muito tempo e cuidado. A técnica é muito recente, a cada dia descubro mais possibilidades”, afirma o artista, que surpreendentemente declara usar papel higiênico, o qual passa por um longo processo de tingimento e sensibilização.

Elisandro Calheiros, Ségio Sabo e Ricardo Mendonça também apresentam novos trabalhos, frutos de intensas pesquisas. No caso de Ricardo, formas circulares fazem referência às questões emocionais acerca da própria visão. Porém, segundo o artista, a produção de inúmeros “olhos” também permite inferir a relação com a falta de privacidade, tema bastante frequente na arte contemporânea.Detalhe de trabalho de Ricardo Mendonça

“As discussões são muito variadas, mas todas nos levam ao debate do contemporâneo. Nós queremos ser esse espaço para o atual, sem perder o foco no local”, explica Petrillo, coordenador da Hiato – Ambiente de Arte e responsável pela reunião das obras. Segundo o galerista, é interessante a leitura dos trabalhos em conjunto, discurso corroborado pelos artistas, que nos laços de amizade trocam referências e experiências, muitas traduzidas na arte em exposição.

Mauro Morais