As boas chamas na arte

O fogo que destrói, devasta e desconstrói também serve à criação artística em inúmeras possibilidades. A exposição Arte do Fogo, cuja abertura será feita no próximo dia 6, às 20h, na Hiato – Ambiente de Arte, pretende mostrar as múltiplas formas da cerâmica, que tem no fogo o principio básico para a excelência dessa arte. A coletiva contará com os artistas Adriana Lopes, Júlia Vitral, Kátia Lopes, Norma Marchetto e Wagner Fortes.
Dos vasos aos quadros, a cerâmica é uma arte que se firma entre o erudito e o popular no universo plástico, visto que permite a confecção de materiais em diferentes suportes e linguagens diversas, desde o utilitário ao decorativo. “Temos uma amostra muito interessante da produção de cerâmica atual. Na cidade temos muitos talentos nessa área”, destaca Petrillo, artista plástico e coordenador da galeria.
Para a confecção da cerâmica é necessário modelar a peça na argila, e em seguida a peça recebe a pintura com esmalte. Numa temperatura em torno de mil graus, a peça é queimada, o esmalte é vitrificado e ganha algumas rachaduras, a porção que não recebeu o esmalte torna-se negra. “A presença do fogo no processo é profundamente agressiva”, afirma Wagner Fortes, que desde 2004 trabalha com a técnica da cerâmica raku.
Numa linguagem não-convencional na cerâmica, Wagner preparou 16 pequenos quadros contendo releituras do artista suíço Hrgiger. As serigrafias, que habitualmente são vistas em papel, ganharam a cena nos esmalte presenta em placas de cerâmica. “O trabalho está denso. Tem muito apelo emotivo e visual. O Hrgiger tem um lado profundamente sensual e demoníaco, como o fogo”, revela Wagner. 
Afora o valor esotérico do fogo, a cerâmica tem um conteúdo natural de grande importância. “A cerâmica envolve química, biologia e até história”, explica a artista Julia Vitral, que apresenta peças sem esmalte e com queimas feita em fogão-a-lenha, fruto de intensa pesquisa. “Eu não consigo entrar no ateliê sem ler, sem estudar. Eu tenho muitas referências. A peça me pede os caminhos que ela quer. Levo pelo menos duas horas para começar uma peça”, diz.
Completando o espectro múltiplo que a mostra pretende apresentar, Kátia Lopes prepara vasos azuis e Norma Marchetto grandes totens com estrutura em ferro e pequenas placas de cerâmica. Já Adriana Lopes, que residiu durante longo tempo em Juiz de Fora e agora mantém um atelier em Natal, no Rio Grande do Norte, apresenta um grande painel com peças redondas e, ainda, cubos decorativos.
A mostra fica aberta para visitação de 7 à 21 de maio, de segunda a sexta, das 9 às 12h e das 14 às 18h, e aos sábados de 9 às 12h.
 
Mauro Morais