Exposição revela obras inéditas de Dnar Rocha

Os 20 trabalhos expostos em Dnar – algumas imagens representam inúmeras ligações do autor das obras – Dnar Rocha – com o espaço que agora ocupam. A mostra, que abre para visitação hoje, dia 12, e segue até o dia 30 de abril, revela um pouco mais do pintor juiz-forano, reconhecido pelos fortes traços em que recria paisagens mineiras e naturezas mortas.
A mostra apresenta, pela primeira vez, a Série Cavaletes, composta por 15 desenhos feitos em óleo sobre papel. Nos pequenos quadros, o artista retrata o espaço de criação, ornado por cadeira, mesa e cavaletes. Divididas em três pequenas séries – amarelo, verde e azul –, os trabalhos revelam a predileção de Dnar por cores fortes, frutos de uma paleta em constantes combinações.
“Os trabalhos estavam jogados, num canto. Comprei e guardei durante todo esse tempo. Representam muito para mim”, conta o artista plástico e galerista Petrillo, que há mais de 12 anos conheceu Dnar, e desde então selaram uma forte amizade. Foi de Dnar o primeiro quadro de Petrillo, hoje um grande colecionador, que guarda em seu acervo inúmeras obras do amigo.
Além das inéditas imagens, algumas pinturas feitas em óleo sobre tela, que descortinam um pouco mais do artista. Um casario, tipicamente mineiro, divide espaço com dois retratos e mais uma natureza morta. No livro Dnar – O silêncio das imagens, o autor e também artista plástico José Alberto Pinho Neves atenta para a lírica do pintor: “Urdidor formal e alquimista cromático, Dnar cristaliza o tempo em imagens ungidas de silenciosa poesia, evidenciando, cioso, seu compromisso perseverante com a pintura da qual é operário”.
Artista tardio, Dnar Rocha nasceu em 1932, na cidade mineira de Tabuleiro. Na década de 50 firma moradia em Juiz de Fora e descobre a habilidade para desenho por meio da Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras. Trabalhando como barbeiro, professor ou operário, o artista expõe com importantes nomes da arte local, e, passa, após a aposentadoria a se dedicar exclusivamente ao ofício artístico. Com um vasto currículo de exposições e com o reconhecimento nacional, Dnar falece em 2006, aos 74 anos.
“O traço do Dnar é algo singular, de extrema liberdade, mas também, de muita segurança. Um artista romântico” destaca Petrillo, que realiza, agora, o desejo de trazer as obras do amigo para a galeria que coordena. “Pensei em apresentar essas obras na abertura da galeria, há nove anos atrás”, afirma. Ao selecionar as obras para a mostra, o galerista pretende dividir seu acervo com os espectadores, e homenagear o amigo, apresentando os ecos de um poeta da pintura.